Taxa de utilização do comércio eletrónico continua a aumentar, indica o INE. Também está em crescimento a percentagem de agregados com ligação à internet em casa.
á cada vez mais portugueses a fazer compras online. Segundo os dados divulgados, esta segunda-feira, pelo Instituto Nacional de Estatística, a taxa de utilização do comércio eletrónico aumentou 5,2 pontos percentuais em 2021, face a 2020, para 40,4%. Isto num ano em que também a percentagem de agregados com ligação à internet em casa através de banda larga cresceu, sendo agora de 84,1%.
“Em 2021, 40,4% das pessoas dos 16 aos 74 anos efetuaram encomendas pela internet, mais 5,2 pontos percentuais do que no ano anterior”, salienta o INE. Apesar desta evolução, a proporção de utilizadores do comércio eletrónico em Portugal continua abaixo da média da União Europeia. Em 2020, por exemplo, 54% da população do bloco comunitário fez compras online.
Na nota divulgada esta segunda-feira, explica-se que, por cá, a taxa de utilização de comércio eletrónico aumentou “principalmente no caso das mulheres”. Neste grupo, houve um acréscimo de 8,8 pontos percentuais, em termos homólogos, para 43,2%. Já entre os homens, a subida foi de 5,8 pontos percentuais para 37,4%.
E apesar da proporção de utilizadores do comércio eletrónico ter aumentado em Portugal, houve uma redução da quantidade de encomendas realizadas em comparação com 2020, principalmente no que diz respeito à percentagem de utilizadores que realizaram mais de dez encomendas (-0,3 pontos percetuais) e de seis a dez encomendas (-1,8 pontos percentuais). Já a proporção dos utilizadores que fizeram uma ou duas encomendas aumentou 0,6 pontos percentuais e a dos que levaram a cabo de três a cinco encomendas cresceu 1,5 pontos percentuais.
Paralelamente a esta dinâmica, o INE indica que houve um decréscimo homólogo do valor monetário despendido. Em 2021, houve menos utilizadores a gastar 100 euros ou mais, mantendo-se, todavia, preponderante (36,7%) o grupo de utilizadores que gastam entre 100 euros aos 499 euros em compras online. “O padrão das compras pela internet registado em 2021 está longe do existente em 2019, quando mais de metade dos utilizadores de internet realizavam uma ou dias encomendas e 37,5% gastavam menos de 50 euros”, frisa o gabinete de estatísticas.
Ao longo do ano atual, a maioria dos portugueses que fizeram encomendas digitais compraram produtos físicos (98,7% encomendaram, pelo menos, um produto físico). Por outro lado, 52,9% referiram ter encomendado serviços e 50,3% adquiriram produtos em formato digital. À semelhança de 2020, as encomendas digitais foram predominantemente de roupa, calçado e acessórios de moda (69%), seguindo-se as refeições em takeaway ou entrega ao domicílio (46,0% em 2021) e os filmes, séries ou programas de desporto (34,9% em 2021).
Quanto à aquisição de serviços, a nota divulgada esta segunda-feira, adianta que, em 2021, aumentou principalmente a proporção de utilizadores que efetuaram reservas de alojamento online (6,8 pontos percentuais), transporte (2,8 pontos percentuais) e serviços de ligação à internet, telefone e telemóvel (1,9 pontos percentuais).
Por outro lado, o INE dá conta que, em Portugal, a taxa de utilização do comércio eletrónico é mais elevada nas regiões a Sul do Tejo, sendo a Área Metropolitana de Lisboa aquela que regista a proporção de consumidores digitais mais expressiva (46,6%). “Nas regiões do Alentejo e do Algarve, registam-se pela primeira vez percentagens de utilizadores ligeiramente superiores à média nacional”, destaca o gabinete de estatísticas.
Quanto à análise etária da utilização do comércio digital, há a notar que as encomendas online são mais frequentes no grupo etário dos 25 aos 34 anos. E é entre os portugueses com o ensino superior e aqueles que são estudantes que se encontram as maiores taxas de utilização de comércio eletrónico. “Considerando as classes de rendimento, é relevante a assimetria
entre as taxas de penetração nos dois primeiros quintis (20,0% e 28,5%) e nos três quintis de rendimento mais elevados (de 44,4% a 59,6%)“, acrescenta o INE.
A nota agora divulgada traça o retrato também da evolução da utilização da internet em Portugal. É nesse contexto que se indica que, em 2021, 87,3% dos agregados familiares em Portugal têm ligação à internet em casa, mais 2,8 pontos percentuais do que no ano anterior. Aumentou também em 2,4 pontos percentuais a proporção das famílias que acedem à internet através de banda larga para 84,1%. “Contudo, a taxa de penetração da banda larga nos lares portugueses continua a ser inferior à observada na União Europeia para 2020 (89%)”, observa o INE.
Por cá, as famílias com crianças até aos 15 anos são as que registam taxas de acesso à internet (98,2%) e de acesso em banda larga (97,0%) mais pronunciadas face à generalidade das famílias. E por classes de rendimento, “os agregados do quintil mais elevado (20% dos agregados com maiores rendimentos) são os que apresentam níveis mais elevados de acesso à internet (96,8%) e banda larga (94,5%)”. Em comparação, para os 20% de agregados com menores rendimentos (primeiro quintil), “as proporções de acesso à internet em casa e acesso através de banda larga são substancialmente mais baixas (72,2% e 68,3%, respetivamente)”, explica o INE.
Quanto ao conjunto da população residente, há a notar que 82,3% das pessoas com 16 a 74 anos utilizam a internet, o que corresponde a um salto de quatro pontos percentuais face a 2020. Também neste ponto, Portugal continua, contudo, abaixo da média comunitária (os tais 82,3% comparam com os 88% da UE).
Em 2021, “a proporção de 81,2% de mulheres que utilizam a internet continua a ser inferior à verificada para os homens (83,6%)”. E por profissões, há a sublinhar que 98% dos representantes do poder, especialistas das atividades intelectuais e científicas e técnicos de nível intermédio utilizam a internet. Tal compara com 92,3% do pessoal administrativo, trabalhadores dos serviços e vendedores, bem como com 82,9% e 80,0% respetivamente para os agricultores e trabalhadores qualificados da agricultura, pesca, floresta, indústria, construção e artífices e os operadores de instalações e máquinas, trabalhadores da montagem e trabalhadores não qualificados.
Por regiões, a Área Metropolitana de Lisboa, o Algarve e a Região Autónoma da Madeira são aquelas que verificam as proporções de utilizadores de internet mais elevadas (89,8%, 84,6% e 84,1%, respetivamente). Já região Norte regista a proporção mais modesta (78,1%).
E para que usam os portugueses a internet? Principalmente, para comunicar e aceder a informação: 91,4% trocaram mensagens instantâneas, 87,6% enviaram ou receberam e mails, 86,7% pesquisaram informação sobre produtos ou serviços, 81,3% leram notícias, 79,7% telefonaram ou fizeram chamadas de vídeo e 69% ouviram música, sendo este “o principal motivo de entretenimento para a utilização da internet”.
Fonte: SAPO
Por: Isabel Patrício